TERROR NO INTERIOR – ONDE HÁ MAIS VIOLÊNCIA?

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 fotoJá se foi o tempo em que tínhamos medo das regiões metropolitanas e das grandes cidades do Brasil por acreditar que ali estava concentrada a maior violência ocorrente no nosso país. Talvez hoje não seja mais a violência das grandes metrópoles, a mais perigosa que enfrentamos.

É preciso fazer uma distinção importante ao analisarmos esta questão: em primeiro plano as regiões metropolitanas e grandes cidades possuem um sistema de mídias e informações que leva ao conhecimento público praticamente todos os casos de violência que ocorrem naquelas regiões.

Aliás, os programas de maior índice de assistência hoje na televisão e até mesmo no rádio, são aqueles que noticiam casos de violências e, muitas vezes, fazendo com imenso grau de sensacionalismo.

Quando voltamos para as cidades do interior temos situações adversas. Os casos de violências são divulgados pela mídia local e a despeito do esforço que se fazem, não há facilidade de acessar todos os eventos ocorridos e é possível que muitos deles fiquem no desconhecimento do sistema de comunicação regional.

Mas, mesmo em se considerando estes elementos que seriam indicativos ou pelo menos demonstrativos de um maior índice de violência nas regiões metropolitanas, na atualidade, no contexto daquilo que assistimos e constatamos, já se pode verificar que é muito duvidoso afirmar que o maior índice de violência está nas grandes cidades.

Estatísticas já existem demostrando que quando considerado o índice demográfico, ou seja, o índice de população, a violência no interior é muito superior à violência nas capitais e o interior parece haver se tornado o alvo preferido da bandidagem por alguns elementos muito simples.

Os governos concentram suas principais ações de prevenção e repressão nas regiões metropolitanas e grandes cidades, exatamente pelo fator repercussão que os eventos ali ocorrentes recebem com ampla divulgação pela mídia de alto alcance.

Com esta situação, as cidades pequenas e médias que estão recebendo boa carga da criminalidade migrada das regiões metropolitanas, possuem estrutura de prevenção e repressão absolutamente caótica.

Temos no país duas polícias estaduais: a Polícia Militar e a Polícia Civil. A Polícia Militar é responsável pelo trabalho ostensivo e de prevenção. Portanto, ela é mais vista pela sociedade e é mais avaliada também por essa sociedade, razão por que os governantes tornam esta polícia um pouco melhora aparelhada que a outra polícia, a Polícia Civil, responsável pelo trabalho de investigação dos crimes ocorridos.

Se fizermos uma verificação na situação estrutural da polícia investigativa, Polícia Civil, nas cidades do interior, certamente estaremos todos assustados com a falta de estrutura existente naquelas unidades. Melhor resultado ainda acontece pelo esforço desumano feito pelos membros da corporação civil e também por uma reconhecida parceria prestada pela polícia militar. Não fosse a harmonia existente entre as duas polícias e se cada uma se mantivesse no estrito exercício de suas atribuições, certamente um número muito inferior de crimes seria desvendado no interior.

Portanto precisamos estar atentos porque no interior estamos muito mais vulneráveis à violência e muito menos aparelhados para trabalhar com ela. Essa tendência que já vem ocorrendo há alguns anos, certamente tende a progredir cada vez mais e todos nós ainda veremos um interior mais violento do que as grandes cidades.

Tivemos acesso a um trabalho desenvolvido pelo Ministério Público em Mantenópolis. Aquela Promotoria instaurou em 2007 um procedimento para avaliar e acompanhar a questão da segurança pública do município de Mantenópolis no contexto do Estado.

Analisando a portaria de instauração do procedimento preliminar de averiguação número 001/2007, é de se assustar como aquele documento já previa – e não era nenhum exercício de profecia – todo o estarrecedor momento de violência que vivemos em nossas cidades do interior e, especialmente, em nossa microrregião Leste de Minas Gerais e Norte do Espírito Santo, exatamente pelo fato de estarmos localizado numa região fronteiriça sem qualquer sistema especializado de fiscalização.

Só para relembrarmos, recentemente tivemos três episódios de crimes onde se valeu da vulnerabilidade de divisas existente entre o estado de Minas Gerais e Espírito Santo na região leste/noroeste: um sequestro em Martinópolis-ES que resultou em assalto ao banco de Cuparaque-MG; depois outro sequestro e roubo na cidade de pancas; e recentemente o sequestro do prefeito de Pancas e o motorista da prefeitura e resultou em outro roubo na cidade mineira Cuparaque.

portaria-ppa-001-07

Veja a seguir PORTARIA expedida pela Promotoria de Mantenópolis no ano de 2007 e verifique como, há nove anos, já se retratava naquela unidade do Ministério Público a realidade que está à frente dos nossos olhos hoje.

Estejamos atentos cobrando de nossos governantes atenção necessária para a nova realidade que enfrentamos, onde a violência no interior é maior que nas grandes cidades.

Por fim, veja no site de notícias de Mantenópolis, o vídeo do assalto ocorrido recentemente ao banco da cidade de Cuparaque-MG.

Vídeo mostra bandidos assaltando agência Sicoob em Cuparaque nesta sexta

CONTATO: lestenortemges@gmail.com

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