ESTAMOS EM GUERRA?

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ESTAMOS EM GUERRA?

Qualquer resposta menos avisada certamente responderia: não, não estamos em guerra. Mas a grande verdade é que vivemos uma das mais graves e mais perigosas guerras que podem acontecer em uma nação.

Quando nos volvemos para os poderes a nível federal percebendo com extrema clareza que os mesmos estão vivendo uma guerra subliminar. E acerca desta guerra entre os poderes, talvez o mais grave é a insistência dos mesmos em tentar provar para a sociedade que o conflito não existe. Os três poderes da união estão se comportando como aqueles tantos casais que vivem muito bem para a sociedade, sempre tentando esconder o que de fato acontece no interior de suas residências.

Quando a mais alta corte da nação chega ao limite de usurpar atribuições que constitucionalmente são monopólios de outras instituições, certamente a guerra é muito maior do que podemos imaginar. É muito grave a atitude do Supremo Tribunal Federal em se arvorar na competência de órgão investigador. Se a cúpula do poder judiciário nacional pudesse exercer a função de órgãos investigativos, de quem seria a competência para julgar eventuais futuras ações penais ou cíveis que se embasarem em tais investigações?

Mas há uma segunda guerra que também se apresenta muito preocupante. Esta é uma guerra travada pelas principais e maiores organizações da imprensa brasileira que, a toda prova, assumiram uma situação de posicionamento explícito em questões político-partidárias, de tal forma que as notícias já não são a revelação de um fato, mas se apresentam como opinião acerca de um possível fato. Se antes de recebemos a notícia de um fato recebemos a opinião sobre o mesmo através dos próprios órgãos de imprensa, que garantia temos de que os fatos noticiados refletem com imparcialidade toda a verdade?

Não é difícil identificar em cada órgão importante da imprensa nacional qual é a sua preferência político-partidária, pois a forma como se comportam naquilo que deveria ser a informação do fato acaba por nos produzir muita incerteza sobre o próprio fato, uma vez que a notícia vem carregada de um passionalismo doentio. Nesse contexto ainda ocorre uma explícita guerra entre os poderes da união e setores da imprensa.

Parece haver ainda a nível nacional uma terceira guerra que pode afetar gravemente os interesses da população. É patente que vivemos também uma guerra religiosa. Observamos no dia-a-dia que as principais organizações religiosas do país e os principais líderes religiosos da nação estão claramente buscando acomodação em algum ambiente político-partidário, abandonando ao relento a representação do reino celestial para, se imiscuir perigosamente nas coisas do reino do mundo.

Diante desta situação caótica nada mais recomendado que ostentarmos a maior prudência possível, pois corremos o risco de sermos sugados para uma terrível guerra que não queremos viver nem participar, mas que um simples descuido pode nos levar para o centro dela.

Os pilares da democracia são como o sistema imunológico do corpo humano. Quando o sistema falha, são imprevisíveis  a natureza e a grandeza dos ataques que podem ocorrer.

Editorial LesteNorte