CIDADANIA, DEMOCRACIA E HUMANISMO – TEMPOS SOMBRIOS

0
16

gustavo-senaDr. Gustavo Sena Miranda.

Promotor de Justiça no Estado do Espírito Santo; professor universitário; autor de vários livros.

Há dias estou com o pensamento atormentado em relação à tragédia humanitária que vem ocorrendo em Aleppo. O mal ronda a Terra, com a continuidade da barbárie e terror nesse final de 2016, que parece não ter fim. Isso é reflexo de uma sociedade doente, de uma democracia doente, de falta de humanismo.

 

Por isso, é difícil nesses tempos sombrios falar em cidadania, democracia e humanismo. Inspirado em Warat, podemos indagar: de que democracia, de que cidadania, de que humanismo podemos falar quando observamos uma criança síria com seus membros amputados, com seus pais e amigos executados ou condenados para sempre a uma cama de hospital?

 

001

Enquanto existirem excluídos é uma hipocrisia falar em democracia, em cidadania e humanismo, em especial quando muitos excluídos são massacrados por uma insensibilidade e um individualismo cruel, ao ponto de se sentirem culpados de viver. Esse é o pior dos genocídios, pois, como fala Warat, “o pior dos genocídios é aquele que faz sentir aos excluídos culpados de estarem vivos”.

 

003

Há esperança? Acredito que sim, desde que escutemos os gritos das ruas, enxergando o outro e entendendo que ele nos constitui. Invocando novamente o citado mestre (no seu belo livro “A rua grita Dionísio”), esse mundo carece de mais alteridade, principio do qual podemos extrair alguns direitos, tais como:

 

  1. direito a não estar só;

  2. direito ao amor;

  3. direito à autonomia, encontro com a própria sensibilidade;

  4. direito à autoestima;

  5. direito a não ser manipulado;

  6. direito a não ser discriminado, excluído;

  7. direito a ser escutado;

  8. direito a não ficar submisso;

  9. direito a transitar à margem dos lugares comuns, os estereótipos e os modelos;

  10. direito a fugir do sedentarismo como ideologia e retomar à pulsão de errância;

  11. direito à própria velocidade; à lentidão (Warat, p. 117).

Posso parecer romântico em acreditar no ser humano, em ter esperança. Mas, como diz Aristótoles, “A esperança é o sonho do homem acordado”.

FONTEhttps://www.facebook.com/gustavo.sennamiranda?pnref=story